Alimentação inadequada pode deixar população mais vulnerável ao novo coronavírus

Produtos industrializados podem proporcionar praticidade e bem estar momentâneo, mas tendem a ser mais calóricos e menos nutritivos

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A pandemia mudou a rotina das pessoas, que tiveram que lidar com o regime de teletrabalho ou isolamento social espontâneo como forma de prevenção ao contágio do novo coronavírus. A mudança também alterou os hábitos alimentares do brasileiro em casa, que passou a consumir mais produtos industrializados, que são práticos e têm maior validade. 

“Houve uma piora significativa na alimentação nesses tempos de pandemia, o que pode ocasionar danos à saúde do cidadão e deixá-lo vulnerável, já que tais alimentos tendem a ser mais calóricos e menos nutritivos do que a comida fresca, natural”, explica a nutricionista e especialista em Vigilância Sanitária, Lorena Esquivel.

Foto: Divulgação | Lorena Esquivel, nutricionista e especialista em Vigilância Sanitária

Conforme dados do projeto ConVid – Pesquisa de Comportamento, as mudanças alimentares provenientes da pandemia, em jovens adultos, entre 18 e 29 anos, mostram que 63% estão consumindo chocolates e outros doces em dois dias ou mais por semana, um aumento de 6% em relação ao período anterior ao surto do vírus.

O consumo de embutidos, como salame, presunto e salsicha, e hambúrgueres, aumentou 5%, e o de congelados, 4%. O estudo foi realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a UFMG e a Unicamp. Um total de 44.062 indivíduos participaram da pesquisa que ocorreu entre 24 de abril e 8 de maio.

De acordo com a nutricionista, uma alimentação pobre em vitaminas, minerais, fibras e proteínas tende a baixar a imunidade, levando o individuo a desenvolver grave deficiência nutricional, o que pode ocasionar doenças crônicas como obesidade, diabetes e hipertensão, enfermidades que são do grupo de risco da pandemia do novo coronavírus.

Um dos fatores que faz com que esses alimentos chamem a atenção do consumidor são os recursos de publicidade empregados nas divulgações. “As ações de promoção desses produtos fazem com que eles sejam mais atrativos, práticos e convincentes quanto à qualidade. O próprio sabor e aspecto chamam atenção”, destaca a nutricionista que também se refere ao visual tentador e aroma intenso presente nos alimentos.

Mas essa questão alimentar não é nova. De acordo com dados da Avaliação Nutricional da Disponibilidade Domiciliar de Alimentos da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017/2018, divulgada em abril de 2020 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nos últimos anos os alimentos ultraprocessados têm participado mais da alimentação do brasileiro. 

Os produtos já compõem 18,4% das calorias totais adquiridas em casa. Nos anos de 2008 e 2009, eram 16%, e em 2002 e 2003 eram relativos a 12,6%. Ainda na visão da nutricionista, a participação desses alimentos na mesa se dá principalmente pelo fácil acesso, o tempo de validade e à comodidade no uso. 

“A verdadeira saúde está no colorido presente nos alimentos. Uma alimentação saudável, com fibras, minerais e vitaminas, atrelada à ingestão de água, nos proporciona saúde, bem estar e qualidade de vida”, finaliza Lorena Esquivel.